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Eis um blog.


Sem mais perguntas (para a querida Fer Cardozo)

       Fernanda tem olhos cor de pergunta. Quando é noite e as estrelas somem atrás das nuvens, os olhos de Fernanda continuam piscando, sem compreender. O frio não tem respostas, e ela sabe, com cada milímetro da pele muito branca, que o dia vai trazer apenas mais e mais perguntas. Para Fernanda, as manhãs têm sabor de incerteza, café com leite e ilusão. Não necessariamente nesta ordem. Enquanto dorme, Fernanda tem sonhos, muitos sonhos. Sonha que caminha à beira de um rio calado, num silêncio em que não cabem palavras. Nem mais perguntas. Às vezes, quando acorda com vontade de chorar, e sente que alguma coisa está querendo morrer por dentro, Fernanda sai de si e se dá para os outros. Distribui carinhos e bombons, muitos bombons. Ela gosta de ouro branco. Mas, bem no fundo, lá onde não chegam os pensamentos, ela sabe com todo o coração: detesta perguntas.



Escrito por Fabrício Basso às 02h38
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Um poemeto de amor.

Amo-te no espaço indefinido do sonho que é fruto e sal,


Que me embriaga de suco e raiz silvestre.


Assim, soterrada de abismos e pó,


Te amo. Na volta completa dos olhos calados, da boca vazia


Simplesmente amo-te, amor, sobre todas as coisas


E ainda mais por debaixo da pele, com estômago e mãos


E entre dedos e galhos e cipós sem sombra



É que amo-te claridade imensa.


Amo-te pernas e pés, joelhos e sorriso


E paredes e silêncios


E ouvidos e passos no corredor e esperas.


Amo-te tão lento. Tanto. Preenches o azul do céu e escureces nuvens escritas


E num instante já és pedra ao sol e flor pisada.



Amo-te, mais do que tudo, amo-te, meu par.


Procuro teu perfume e és sempre tu, única, a vibrar com força contra as vidraças das minhas retinas


Tu, que o sol e a lua beijam nas madrugadas do meu quarto, todas as manhãs


Quando abro essas janelas trêmulas. És única.


Única que eu guardo em minhas pálpebras e ao redor de mim


que inverte o sentido da palavra



sentido



Escrito por fabrisguissardi às 09h56
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Aula de geografia

Quinta série. O mapa sobre a parede.

A professora explicando:

“- Os oceanos separam os continentes.

Nosso planeta é formado por continentes separados por oceanos.”

 

Levanto-me, arranco o mapa

Mostro aos colegas a parede nua por detrás dele

(os coleguinhas surpresos, curiosos)

Há uma rachadura no concreto.

Meto a mão na brecha insuspeita e arranco uma palavra

Escrita num papiro escuro, amarelado pelo tempo:

“Separação”.

 

Mostro à professora, antes de rasgar o papiro tão raro

E a rachadura se fecha, a parede está novamente lisa, novamente íntegra.

 

- Não há separação entre as coisas, explico:

Só as palavras e as idéias se separam entre si.

A realidade das coisas é a unidade, o planeta é um só,

Por que falar em oceanos e continentes?

 

Volto a me sentar, os coleguinhas continuam sem me entender.

Olho a professora, que parece prestes a se partir em duas metades.

Ela me olha e quase grita:

- A minha lógica não te agüenta, criatura!

Eles não me pagam o suficiente pra isso.

 

O recreio é antecipado. Ninguém entendeu nada do que eu quis dizer

Mas todos entenderam o principal:

graças a mim, o recreio começou meia hora antes.

 

Sou o herói da turma,

Não há mais separação entre meus colegas e eu.

 

(e vamos todos brincar no sol, que é isso o que mais vale na vida. Né não?)



Escrito por fabrisguissardi às 18h19
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Um hai kai.

Se o hai

Kai

Quem fica em pé?

 

(Acho que não sei escrever sério...

...ainda bem! :D)



Escrito por fabrisguissardi às 17h38
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Soneto A.R.S

Estes teus olhos, como são gelados!

Como é fria a luz deste teu olhar!

O verde deles é o verde de um mar

Obscuro, glacial, nunca navegado.

 

Quase sempre tu os tens semicerrados

É como se tu quisesses poupar

Sua luz... como querendo evitar

Que a luz dos meus os deixasse abrasados.

 

Estás cansada. Fecha-os. Estão frios...

Então tua boca desenha um sorriso!

Que calor! Uma lágrima escorreu!

 

Do contraditório em ti me inebrio:

Foi tão grande o calor deste teu riso

Que o gelo dos teus olhos derreteu...

 

Eu adoro soneto, um dia eu aprendo a escrever um, hehehehe :D



Escrito por fabrisguissardi às 02h33
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O dia pendurado na janela

Olho o dia que nasce entre as grades da janela do meu quarto.
Ele entra inteiro no meu quarto,
ao mesmo tempo em que eu entro por inteiro no dia, só de olhar pra ele.
 
E aí penso, mas penso só um pouquinho
(que é pra não estragar essa alegria de só sentir):
 
Quem será o artista que fica em casa imaginando e pintando tanta beleza
E vem todo dia cedo pendurá-la, justo aí na minha janela?
Deve dar um trabalhão...
Como faço pra agradecer?
 
Então lembro que já conheço a melhor maneira, a única maneira de agradecer
Que não é rezar, nem dizer "muito obrigado!", e sim
estar aqui, presente, olhando essa beleza cortante que alguém me deu de graça.
 
Alguém pendurou o dia na minha janela
e saiu, passo miudinho, como um leiteiro discreto.


Escrito por fabrisguissardi às 02h24
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Passando o tempo

As horas passam e passam, mas a gente parece que continua amarrotado.

Escrito por fabrisguissardi às 02h19
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